A apaixonante fotografia de Pierre Verger

1706Cada ângulo,a saturação das cores, todas as expressões e registro fotográficos de Pierre Verger nos fala sobre a riqueza cultura que os povos africanos proporcionaram ao mundo, em especial à cultura brasileira. Sua obra fotográfica é poética, enriquecedora, humanamente apaixonante,nos faz lembrar além de tudo sobre o quanto é bela a humanidade. O fotógrafo e etnólogo franco-brasileiro, Pierre Verger, nasceu em uma família abastada, viveu em Paris no inicio do século 20,onde frequentou a sociedade burguesa da época ainda que não se encaixasse no meio em que foi criado.

Com a Morte do Pai e da Mãe, aos 30 anos decidiu que seu tempo de vida não passaria dos 40 anos, fosse por morte natural ou por suicídio. Nesses 10 anos restava-lhe saciar os seus últimos anos de vida; descobriu a fotografia e a paixão pelas viagens. Aventurou-se de corpo e alma. Com suas paixões, uma câmera Rolleiflex e noções básicas de fotografia viajou para o Taiti. A primeira de muitas viagens ao redor do mundo. Verger vendiasuas fotografias para centros de pesquisa,prática que usualmente tornou-se seu sustento.

Foi no ano de 1946 que conheceu o Brasil, chegou em Salvador, na Bahia, a expressões artísticas, culturais e a hospitalidade do povo conquistaram-no, descobriu sua paixão pelas riquezas afrodescendentes e pelo candomblé. 1698Com o tempo Esse interesse rendeu-lhe frutos: uma bolsa de estudos na África, no ano de 1948. Cinco anos depois foi iniciado na religião dos povos iorubás como babalaô (“pai do segredo”) e recebeu o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, sendo o “Ifá” um oráculo daquela crença.

A beleza da história, tradições, os costumes e as crenças religiosas praticadas pelos povos iorubás e seusdescendentes, na África e na Bahia, foram os temas centrais de sua incrível obra, tão rica quanto os momentos que registrou. Pierre nos dá uma lição sobre tolerância, amor, humanidade. No Brasil Verger organizou o Museu Afro-Brasileiro da Bahia, em Salvador, cuja direção foi assumida pela Universidade Federal da Bahia (UFBa). Universidade que também lhe conferiria o título de Professor Adjunto em 1979.

Em 1988, Verger transformou a própria casa em um centro cultural/ centro de pesquisa, criou a Fundação Pierre Verger, foi atuante, doador, e presidente, 60 mil negativos de suas fotos foram arquivadas, registro ricos que nos fala sobre religião, tradição, paixão e sobretudo igualdade.

 

47387

3005553396_ed39250998_b

pierre-verger-bonfim-porto-novo

Pierre-Verger-Le-messager

 

unnamed (1)Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou se encantando com o universo da pesquisa e não parou nunca mais.

Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

Clique e conheça a Fundação Pierre Verger

Hal Wildson

Criado no interior do Goiás, 23 anos, artista multifacetado e colunista do Midiacult. Autodidata no mundo das artes, o artista se arrisca entre a literatura e as artes visuais. Apresentando o curso de Letras/Literatura no currículo, Hal atualmente vive em Goiânia, onde deu decorrência as suas investigações sobre as poéticas urbanas, em seus seus textos e ilustrações. Apaixonado por música, pessoas e histórias, um "colecionador de galáxias"... registrando histórias no ônibus, em bares, nas calçadas e nos quintais.

2 thoughts on “A apaixonante fotografia de Pierre Verger

  1. Oi Hal ,
    muito bom seu post.
    Sou do Rio mas moro na França há 11 anos, em Marselha. Faço o doutorado em antropologia sobre os Agudàs, retornados do Brasil para o Benin, Nigéria (morei no Benim um tempo, é possível que eu tenha encontrado os netos dessas moças da foto de Verger do Bonfim em Porto-Novo!). Faço uma continuação do trabalho do Verger.
    Gostei dessa foto do Verger (digo retrato do rosto do Verger) talvez eu use-a, sabe o autor por favor?
    Obrigado
    Joao De Athayde

    Ps: nao se preocupe trabalho academico nao entra no mundo do direito autoral (só quando há publicaçao comercial)

    1. Olá João, a fotografia é de Mario Cravo Neto. Obrigado pelo comentário. O trabalho de Pierre é encantador. Sou praticante de religião de matriz afro, diariamente me vejo diante das belezas dessa herança. Tudo muito lindo. Um abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *