Autismo: Diagnóstico ainda é desafio

Quando Wellington nasceu, o seu aspecto era de um bebê saudável e bem formado. Porém, no primeiro ano de vida, sua mãe, a advogada Sabrina Máximo de Oliveira Sousa, 33 anos, notou algumas peculiaridades no filho, que não fixava seu olhar em nada, não balbuciava e tinha uma dificuldade incomum para se comunicar. Somente quase dois
anos após o nascimento de Wellington é que Sabrina conseguiu a confirmação de um diagnóstico, o filho era autista.

Com o dia Mundial do Autismo, comemorado no último dia 2, a doença, também conhecida como transtorno global
de desenvolvimento, voltou a ser alvo de discussões por especialistas da área de saúde. Para lembrar a data, 13 mil pontos espalhados pelo mundo foram iluminados de azul (cor alusiva ao autismo), nos dias 1º e 2 de abril. Entre  os locais, alguns muito famosos, como o edifício Empire State (em Nova Iorque), Cristo Redentor e Cataratas do Niágara.

No Brasil, estima-se que existam dois milhões de autistas. E, em uma pesquisa feita pelo CDC (Center of Diseases
Control and Prevention), órgão máximo do governo americano para a saúde, a média é de que o autismo atinja uma em cada 88 pessoas.

Entre os temas discutidos por médicos e familiares de pessoas que têm autismo está a dificuldade de diagnostico da doença. Um problema que a mãe de Wellington, Sabrina Sousa, conhece bem. Segundo ela, mesmo parecendo fácil identificar uma criança autista, foi muito difícil conseguir o diagnóstico. Sabrina, que é de Goiânia, encontrou
especialistas adequados para isso apenas nas cidades de São Paulo e Florianópolis.

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Sabrina e Wellington

“A princípio até médicos não capacitados duvidavam que pudesse ser autismo, e o preconceito começou aí. Como o autista não possui traços físicos como portadores de Síndrome de Down, outras pessoas acham que pode não ser nada demais. Hoje meu filho tem dois anos e cinco meses e só recentemente consegui o diagnóstico, a rotina mudou totalmente e eu precisei viajar muito pra conseguir”, conta Sabrina.

 

 

Tratamento

Mesmo especialistas admitem que o autismo é ainda pouco compreendido pela medicina, considerada um distúrbio crônico, ou seja, não pode ser tratado em um curto período de tempo. Para a fonoaudióloga, terapeuta comportamental e psicopedagoga, Mariluce Caetano Barbosa, não existem tratamentos padrões, pois cada
paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades.

Mariluce trabalha com 22 crianças dentro do chamado espectro do autismo, e faz o atendimento todo baseado na inserção dos autistas na sociedade. “Nosso trabalho não é mudar o autista e sim, praticar a inclusão social. Eu acompanho as crianças em seus domicílios, auxiliando também os pais, além de trabalhar com escolas que fazem arte do projeto de inclusão”, explica.

Dificuldade para encontrar especialistas

Para Sabrina e Mariluce, que também é mãe de uma criança autista, a maior dificuldade após receber o diagnóstico
de um filho com autismo é a forma como eles deverão seguir adiante. Além da falta de profissionais especialistas na
área, quase não existem escolas preparadas para atender crianças autistas, não há campanhas suficientes para conscientizar a população e quando existem, não são bem divulgadas.

Segundo a psicopedagoga, mesmo com a falta de profissionais, é preciso que os pais observem bem os filhos: se até 12 meses eles não dão risadas, se com 16 meses não fala nenhum tipo de palavra e com 24 meses não forma frases, se isso estiver acontecendo, então, é necessário procurar um especialista o quanto antes para o diagnóstico. Mariluce diz, ainda, que os pais devem procurar um neuropediatra ou um neuropsiquiatra para que eles possam fazer o laudo. “Mas quem dará o suporte caso a pessoa tenha autismo é o fonoaudiólogo e o neuropsicólogo” completa.

Nathan Sampaio

Mato-grossense, 24 anos, criador e editor do Midiacult e jornalista. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Mato Grosso decidiu, depois de ser vendedor, projetista, assessor, social media, diagramador e web designer, que também queria um site. E tá aí, o Midiacult pra vocês.