Dia Mundial da Obesidade lembra que tratamento deve ser multidisciplinar

Data comemorada hoje (11) tem como objetivo encorajar campanhas de impacto midiático, informar a população, formular políticas de combate e compartilhar experiências de boas práticas

Dr Luiz Henrique – Foto de Hevelyn Gontijo

Mais de 50% dos brasileiros estão acima do peso e cerca de 20% deles já são obesos, de acordo com dados de um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde. Em dez anos, a doença avançou em todas as faixas etárias, mas quase dobrou entre jovens de 18 a 24 anos – de 4,4% para 8,5%. Cerca de R$ 488 milhões são gastos com obesidade anualmente pelo Sistema Único de Saúde. Muitas pessoas obesas não estão em tratamento e alguns pais têm dificuldade em aceitar e tratar a obesidade nos filhos. Segundo o médico gastroenterologista Luiz Henrique Filho, da Clínica Cirúrgica Digestiva e Obesidade (CCDO), a data é importante para incentivar a buscar ajuda médica para uma doença crônica que pode e deve ser tratada, devolvendo qualidade de vida e saúde ao paciente.

O mote da campanha neste ano é tratar a obesidade com respeito, através da hashtag#obesidadeeutratocomrespeito, cujos objetivos são a responsabilidade na disseminação de informações sem sensacionalismo ou receitas milagrosas, evitar a culpabilização do paciente que sofre de uma doença multifatorial, investir em atualização dos profissionais, reconhecer os medicamentos como parte da solução a uma doença crônica, considerar as cirurgias como parte do tratamento quando necessário e investir no acesso ao tratamento multidisciplinar.

O mais importante é que cada paciente é tratado de maneira particular, pois não existe fórmula ideal para todos. Alguns podem ter indicação de medicamento, outros precisam de cirurgia e dentro das cirurgias, existem diversos tipos de intervenções. “Hoje temos técnicas eficazes e pouco invasivas, como é o caso da gastroplastia endoscópica, sem cortes, com riscos mínimos de complicações, recuperação rápida e perda em torno de 20% do peso”, afirma o gastroenterologista, Luiz Henrique.

“Assim como em qualquer outro tratamento para o sobrepeso e a obesidade, o seguimento com equipe multidisciplinar, incluindo médico, nutricionista, psicólogo, educador físico, dentre outros profissionais, é fundamental para a perda de peso mantida a longo prazo”, afirma o médico. A psicóloga Núbia Bernaldo explica que não existe um perfil psicológico único para os pacientes que buscam as cirurgias. “O que se percebe é um sofrimento psicológico intenso com comorbidades nas áreas psicológicas da autoestima, da autoimagem corporal, dos transtornos de ansiedade, dos sintomas depressivos significativos e distúrbios do comportamento alimentar. E o acompanhamento busca tornar o paciente mais consciente de si mesmo, de suas escolhas, desenvolvendo recursos internos para suportar a frustração da ausência do alimento como fonte de prazer e defesa psicológica”, explica.

A atividade física também é uma aliada para perda de peso, mas normalmente os pacientes obesos ou com elevado percentual de gordura, que tentaram emagrecer e não conseguiram, chegam desmotivados e com baixa autoestima. “Após a cirurgia, o paciente pode realizar todos exercícios aeróbicos (bike, caminhada, corrida), exercícios de força (musculação). Após liberação médica também pode fazer exercícios de lutas e abdominais. A cirurgia é altamente eficaz, mas, o sucesso dela depende do empenho, da vontade de querer mudar de cada paciente”, finaliza a educadora física, Thaise Morbeck.

Serviço

Quem: Clínica Cirúrgica e Digestiva e Obesidade – CCDO

O quê: Equipe multidisciplinar para tratamento de obesidade

Onde: Rua 1125, número 207, Setor Marista, Goiânia