Frente dos Servidores Federais de Goiás promove encontro com parlamentares

Grupo alerta para os riscos e prejuízos que os cidadãos brasileiros poderão enfrentar com as reformas e cortes
 

Representando pelo menos dez categorias, servidores federais de Goiás se uniram para formar a Frente dos Servidores Federais (FSF-GO), com o objetivo de reivindicar por melhorias na carreira e protestar contra práticas e decisões do governo federal. A ideia, segundo o grupo, é alertar para os riscos e prejuízos que os cidadãos brasileiros poderão enfrentar com as reformas e cortes.
Diante da atual situação do serviço público e da falta de estrutura, a FSF-GO vai promover um encontro na capital goiana com a presença de parlamentares que representam o Estado na Câmara federal. O café com parlamentares será realizado no próximo dia 16 de outubro, às 8h30, no Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais, no Jardim Goiás. Todos os deputados federais goianos foram convidados e vários já confirmaram presença.
“Queremos garantir serviços públicos de qualidade. É isso que os cidadãos merecem. Vamos apresentar nossa real situação aos deputados, nossos representantes na Câmara federal”, afirma o presidente do SinPRF-GO, Paulo Afonso da Silva, que destaca que a FSF-GO não carrega bandeira partidária.
“Todos os órgãos públicos do executivo federal estão sofrendo com o baixo investimento e a não contratação de novos servidores. Isso afeta a atuação dessas instituições e impede que os serviços sejam prestados de forma eficaz”, completa Paulo, representante da FSF-GO.
No caso da PRF, segundo o presidente do Sindicato goiano, a categoria fica impossibilitada de, por exemplo, combater o tráfico de armas e drogas ou atuar para diminuir os acidentes de trânsito. “E não é só a PRF. A Polícia Federal diminui as operações no combate à corrupção, a Receita Federal deixa de fiscalizar os grandes sonegadores, os auditores fiscais do trabalho deixam de agir nas mais variadas áreas de sua competência, como trabalho escravo, trabalho infantil. As Universidades Federais interrompem seus projetos. Enfim, todos os órgãos públicos são prejudicados”, alertou.
“O governo federal está sucateando os órgãos públicos e retirando os direitos dos servidores concursados para terem mais controle sobre essas instituições e perpetuar o desmando sobre a coisa pública, fomentando a corrupção, nepotismo e muito mais. Tratam como se os recursos do erário público lhes pertencessem e não ao povo que paga seus impostos e necessitam de serviços públicos de qualidade”, completa Paulo.
Déficit na previdência
A FSF luta para esclarecer pontos divulgados pelo governo federal como verdade absoluta. Um desses tópicos é a questão da previdência. Os servidores alertam que, além da contribuição previdenciária paga pelo empregado e pelas empresas, há várias fontes de receita para a previdência social, como COFINS (sobre todos produtos e serviços), PIS, PASEP, CSLL-contribuição social sobre lucro líquido das empresas, percentual sobre a arrecadação das loterias, etc.
“Na falsa conta do governo só é contabilizada a contribuição previdenciária paga pelos trabalhadores e empresas. Eles não falam que retiram da previdência 30% de toda a arrecadação por meio da DRU- Desvinculação das Receitas da União. Para completar, todos os anos há um rombo de centenas de bilhões de reais pela sonegação, REFIS e incentivos fiscais”, conclui o presidente do SinPRF-GO ao completar que o fim da estabelidade para o servidor público, aprovado recentemente por uma comissão do Senado, também será colocada em pauta.
FSF-GO LUTA PARA QUE AÇÕES DO GOVERNO FEDERAL NÃO DESTRUAM O SERVIÇO PÚBLICO; VEJA OS PRINCIPAIS PONTOS EM DISCUSSÃO:
• Uma Medida Provisória está sendo elaborada para congelar os salários dos servidores do Executivo Federal, não concedendo os percentuais já aprovados em lei, de 5% a ser pago em janeiro de 2018 e 5% em janeiro de 2019. Percentuais que nem ao menos cobre a inflação acumulada nos últimos anos sem reajuste para o funcionalismo federal.
• Será encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de Lei aumentando a contribuição previdenciária de 11% para 14% do salário bruto.
• Serão encaminhados projetos de Lei alterando os salários iniciais para os servidores públicos. Sendo R$ 2.800,00 para o nível médio e R$ 5.000,00 para o nível superior.
• 30 níveis para se chegar ao fim da carreira, como o servidor é avaliado uma vez por ano para efeito de progressão funcional, só chegará ao fim de carreira no mínimo com 30 anos de serviço. Isso é mais um fator desmotivador para o ingresso no serviço público
Isso vai fazer com que pessoas mais qualificadas percam o interesse pelo serviço público o que afetará de maneira direta na qualidade na prestação de serviços à população.
• Tramita no Congresso o PL 116/2017 que visa demitir o servidor por uma alegada insuficiência de produtividade, na verdade isso seria o fim da estabilidade disfarçada, vez que os critérios para demitir podem ser manipulados.
• Cortes nos orçamentos dos órgãos que chega a mais de 60% e inviabiliza a execução das atividades, sendo mais uma vez sacrificada a população, que já tem serviços de má qualidade em várias áreas. Com isso, o governo vai utilizar dessa precariedade para culpar os servidores de serem os responsáveis pela prestação de serviços ruins à população.
• Instituição de Pedido de Demissão Voluntária, o que fará com que hajam menos servidores ainda nos órgãos públicos.
• Não autorização de novos servidores públicos. Nem ao menos repondo as vagas de servidores que se aposentam, serviços essenciais deixaram de ser executados, com isso aumento da criminalidade, mais mortes nos corredores dos hospitais, piora no sistema educacional público, falta de combate do trabalho escravo e infantil, enfraquecimento no combate à corrupção, etc.

Serviço
Encontro com Parlamentares Goianos, promovido pela FSF-GO
Quando: 16 de outubro
Horário: 8h30
Onde: Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais (Rua 32, Qd. A20, lote 20, Jardim Goiás- Goiânia)