8 mitos sobre a Prep – Profilaxia Pré-Exposição Sexual com Truvada®

1. Mito – Com a utilização de PrEP com Truvada® não é mais necessária a adoção de outros métodos de proteção contra o HIV.

Isso é um mito. A PrEP com Truvada® NÃO deve ser utilizada como único método de prevenção à infecção por HIV, e sim como complemento a outras medidas de proteção já usuais, como o uso de preservativos que, inclusive, protegem contra a transmissão de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como a sífilis e a hepatite B. De acordo com estudos clínicos e projetos de demonstração, a eficácia de Truvada® varia de 92% a 100% quando tomado corretamente. A administração recomendada é de um comprimido ao dia, regularmente.

2. Mito – Com a PrEP, as pessoas terão um comportamento mais promíscuo, já que acreditam que estão protegidas.

Isso é um mito. Nos estudos clínicos já realizados essa expectativa não se confirmou. Os resultados mostram que os usuários, em sua grande maioria, mantiveram os procedimentos usuais de sexo seguro e consideraram a PrEP com Truvada® como uma proteção adicional, mas que não elimina a importância de outros métodos de prevenção como o uso dos preservativos.

3. Mito – Se eu tomar a PrEP com Truvada® vou adquirir resistência aos medicamentos e, caso seja contaminado, os tratamentos com antirretrovirais terão menos efeito.

Isso é um mito. A utilização da PrEP com Truvada® não causa nenhum tipo de resistência ao vírus , desde que o usuário seja HIV negativo. Por isso, é fundamental que ao prescrever a PrEPo médico solicite os exames e se assegure desta condição, voltando a repetir os exames a cada três meses durante a utilização do medicamento com fins preventivos para rastrear uma possível contaminação. As diretrizes para o tratamento de um indivíduo soropositivo são completamente diferentes da PrEP e em geral exigem uma combinação de diferentes medicamentos. Esta prescrição é específica para prevenção.

4. Mito – Posso tomar os comprimidos de Truvada® apenas no dia em que for ter relação sexual e estarei protegido, desde que tome uma quantidade maior, dois ou quatro comprimidos de uma só vez.

Isso é um mito. Para que a PrEP com Truvada® tenha a eficácia comprovada, o medicamento deve ser administrado uma vez ao dia, sem interrupções, regularmente. O uso incorreto pode comprometer os níveis do medicamento do sangue no momento da exposição ao risco e, em consequência, diminuir a proteção oferecida.

5. Mito – A PrEP com Truvada® é indicada apenas para homossexuais e profissionais do sexo. O tratamento não é indicado para as mulheres.

Isso é um mito. A PrEP com Truvada® é indicada para adultos acima de 18 anos com alto risco de adquirir o HIV. Essa indicação se baseia em estudos clínicos com HSH (homens que fazem sexo com homens), casais heterossexuais soro-discordantes e indivíduos heterossexuais com alto risco de adquirir sexualmente o HIV. Truvada® para PrEP deve ser prescrito apenas a indivíduos que sejam comprovadamente HIV negativos imediatamente antes do início do uso e periodicamente durante o uso. O médico deve avaliar a conveniência da prescrição conforme o grau de exposição do paciente.

6. Mito – A PrEP com Truvada® tem efeitos colaterais horríveis e tornam a administração diária muito difícil. Pode ser perigoso para os rins e para os ossos.

Isso é um mito. Truvada® tem uma posologia cômoda de apenas 1 cp ao dia.Como qualquer medicamento, Truvada® também pode apresentar efeitos colaterais. Todo medicamento deve ser prescrito caso a caso a depender da condição de saúde do usuário bem como o seguimento frequente com seu médico para exames de reavaliação. Todo efeito colateral deve ser sempre reportado e discutido com o médico.

7. Mito – Se eu tomar a PrEP com Truvada®, passarei a ser HIV positivo em testes.

Isso é um mito. Essa informação não procede. A composição de Truvada® não contém o DNA do HIV. Apesar de ser utilizado como profilaxia, seu mecanismo de ação não tem nenhuma similaridade com uma vacina tradicional. Truvada® possibilita a contenção da infecção ao bloquear a atividade da enzima denominada Transcriptase Reversa, liberada pelo vírus e utilizada no seu processo de replicação dentro das células, especialmente as do sistema imunológico.

8. Mito – Se eu tomar a PrEP com Truvada® uma vez, terei que tomar pelo resto da vida.

Isso é um mito. Essa informação não procede. O usuário pode realizar a profilaxia quando desejar, interrompê-la, voltar a adotá-la sem qualquer impedimento, conforme sua conveniência. É importante apenas lembrar que a eficácia da prescrição como PrEP só é assegurada pela administração diária regular de um comprimido, o que garante a dosagem correta para a proteção oferecida.

Referências:

1. Gilead Sciences Inc. TRUVADA® (emtricitabine/tenofovir disoproxil fumarate) tablets, for oral use. U.S.

Prescribing Information. Foster City, CA. Revised April. 2016.

2. US Public Health Service. Preexposure Prophylaxis for the Prevention of HIV Infection in the United States –

2014 Clinical Practice Guideline. 2014:1‐67.

3. McCormack S, Dunn D, PROUD Invesitgators. Pragmatic Open‐Label Randomised Trial of Pre‐Exposure

Prophylaxis: the PROUD study [Presentation 22LB]. Paper presented at: Conference on Retroviruses and

Opportunistic Infections (CROI); February 23‐26, 2015; Seattle, WA.

4. Baeten J, Celum C, Donnell D, et al. Single‐Agent TDF Versus Combination FTC/TDF PrEP Among

Heterosexual Men and Women [Presentation]. Paper presented at: 21st Annual Conference On Retroviruses

And Opportunistic Infections March 3‐6, 2014; Boston, MA.

5. Mulligan K, Glidden DV, Gonzales P, et al. Effects of emtricitabine/tenofovir on bone mineral density in

seronegative men from 4 continents: dexa results of the global iPrEx Study [Oral Presentation/Abstract

94LB]. Paper presented at: 18th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI); February

27 ‐ March 2, 2011; Boston, MA.

6. Grant RM, Mulligan K, McMahan V, et al. Recovery of bone mineral density after stopping oral HIV preexposire prophylaxis [Presentation Abstract 48LB]. Paper presented at: Conference on Retroviruses and

Opportunistic Infections (CROI); 22‐25 February, 2016; Boston, MA.

7. Mugo N, Celum C, Donnell D, Campbell J, Bukusi E, et al. Pregnancy incidence and birth outcomes among

African women in a clinical trial of preexposure prophylaxis: the Partners PrEP Study [Poster]. Paper

presented at: Presented at: 19th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI); March 5‐

8, 2012; Seattle, WA.

8. Lehman D, Baeten J, McCoy C, et al. PrEP Exposure and the Risk of Low‐frequency Drug Resistance [Poster

590LB]. Paper presented at: 21st Annual Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections; March 3‐

6, 2014; Boston, MA.

9. Mugwanya K, Wyatt C, Celum C, et al. Reversibility of Glomerular Kidney Function Decline in HIV Uninfected

Men and Women Discontinuing Emtricitabine/Tenofovir Disoproxil Fumarate Pre‐exposure Prophylaxis

[Poster 981]. Paper presented at: Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI); February

23‐26, 2015; Seattle, WA.

10. Thigpen MC, Kebaabetswe P, Paxton L, et al. Antiretroviral preexposure prophylaxis for heterosexual HIV

transmission in Botswana. N Engl J Med. 2012;367(5):423‐434.

11. Choopanya K, Vanichseni S, Suntharasamai P, Sangkum U, Chuachoowong R, et al. Enrollment, follow‐up,

and risk behavior of injecting drug users in the Bangkok Tenofovir Study, an HIV pre‐exposure prophylaxis

trial in Bangkok, Thailand [Abstract]. Paper presented at: Presented at: 6th IAS Conference on HIV

Pathogenesis, Treatment and Prevention; July 17‐20, 2011; Rome, Italy.

12. Smith DK, Martin M, Lansky A, Mermin J. Update to Interim Guidance for Preexposure Prophylaxis (PrEP) for the Prevention of HIV Infection: PrEP for Injecting Drug Users. Morbidity and Mortality Weekly Report

(MMWR). 2013;62(23):463‐465.

13. Molina JM, Capitant C, Spire B, et al. On‐Demand Preexposure Prophylaxis in Men at High Risk for HIV‐1

Infection. N Engl J Med. 2015;373(23):2237‐2246.

14. Centers for Disease Control and Prevention. CDC Statement on IPERGAY Trial of Pre‐Exposure Prophylaxis

(PrEP) for HIV [Press Release]. Atlanta, GA2015.

15. Baeten JM, Heffron R, Kidoguchi L, et al. Near elimination of HIV transmission in a demonstration project of

PrEP and ART [Presentation]. Paper presented at: Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections

(CROI); February 23‐26, 2015; Seattle, WA.

16. Mujugira A, Thomas KK, Celum C, et al. HIV‐1 Transmission Risk Persists During The First 6 Months Of Antiretroviral Therapy [Poster 989]. Paper presented at: Conference on Retroviruses and Opportunistic

Infections (CROI); February 23‐26, 2015; Seattle, WA.

17. Liu A, Vittinghoff E, Anderson P, et al. Changes in Renal Function Associated with TDF/FTC PrEP Use in the

US Demo Project [Poster Abstract#867]. Paper presented at: Conference on Retroviruses and Opportunistic

Infections (CROI); 22‐25 February, 2016; Boston, MA.

18. McCallister S, Magnuson D, Guzman R, Shvachko V, Rawlings K, Mera R. HIV‐1 Seroconversion Across 17

International Demonstration Projects Using Pre‐exposure Prophylaxis (PrEP) With Oral Emtricitabine/Tenofovir Disoproxil Fumarate (FTC/TDF) [Presentation]. Paper presented at: ASM Microbe;16‐20 June, 2016; Boston, MA.