Pesquisa brasileira mostra resultados de terapia intensiva na reabilitação de crianças

Benefícios do Protocolo PediaSuit, realizado em Goiânia pelo CGRN, foram cientificamente descritos por estudo da Unesc. Ganhos já foram observados na prática por especialistas que aplicam o método

Uma pesquisa inédita realizada no Brasil pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) trouxe evidências científicas sobre a eficácia doProtocolo PediaSuit (uma vestimenta terapêutica ortopédica) na reabilitação de crianças com paralisia cerebral. O estudo mostra que o tratamento embasado pelo método de terapia intensiva pode potencializar a função motora grossa e o desempenho funcional da criança com paralisia cerebral e outras síndromes. Em Goiás, há três anos o Centro Goiano de Reabilitação Neurofuncional (CGRN) é referência no tratamento, cuja diretora Silvana Vasconcelos foi habilitada nos Estados Unidos pelo criador do método, o brasileiro Leonardo de Oliveira. Hoje a clínica já tem unidades em Palmas, Santa Catarina e Natal.

Diretora do CGRN, Silvana Vasconcelos

Os participantes do estudo foram analisados por 30 dias. Cada um realizou cinco sessões por semana de quatro horas diárias (com 15 minutos de pausa para lanche), tempo normal do tratamento intensivo. Ao todo, as crianças foram submetidas ao tratamento de reabilitação por 20 dias. Este é o procedimento estabelecido pelo Protocolo PediaSuit. Após esse período, as crianças passam as próximas duas semanas realizando os exercícios na “gaiola” por um tempo que some seis horas totais por semana.

Alternativa para o SUS

Segundo os pesquisadores, a ideia surgiu porque hoje o PediaSuit está disponível em algumas APAEs de Santa Catarina, com profissionais que foram treinados pela diretora do CGRN, Silvana Vasconcelos. “Queremos que essa pesquisa colabore para que o tratamento seja incorporado peloSUS e até mesmo pelos planos de saúde para que mais crianças possam ser beneficiadas e passem a ter condições de alcançar uma qualidade de vida melhor”, afirma Silvana. Em Goiânia, muitas famílias já buscaram na justiça o direito ao custeio do tratamento pelos planos de saúde.

Na clínica, os resultados da terapia são visíveis e comemorados pelos profissionais e familiares das crianças. “Crianças com paralisia cerebral vindas da reabilitação tradicional e que não sentavam ou não andavam, começaram a andar sozinhas de muletas em três meses de tratamento. Outros pacientes que viviam deitados nunca haviam emitido nenhum som, quando colocados em pé, começam a balbuciar, começam a sorrir, a interagir com nossos profissionais. Temos casos de crianças autistas que começaram a interagir socialmente. Nossas conquistas são vistas e comemoradas a cada dia junto com as famílias”, afirma Silvana que já é habilitada pelo método há sete anos.

Para a diretora do CGRN a publicação da pesquisa é uma conquista a ser celebrada como vitória em nome desses pacientes que demandam mais incentivo que as crianças comuns para aprenderem suas tarefas mais básicas. “Para uma criança aprender a correr ou andar de bicicleta ela faz repetições diárias, brincando de seis a oito horas por dia. E por muitos anos não foi justo com os pacientes neurológicos – que têm um déficit e precisam de mais treino para atender -, fazer sessões de 30 minutos duas vezes por semana. Eles não vão aprender. Por isso diziam muito que terapia neurológica não dá resultado, mas sem a terapia intensiva não dá mesmo”, desabafa.

Macacão Pediasuit

Sobre o Protocolo PediaSuit

Protocolo PediaSuit consiste em uma modalidade terapêutica diferenciada na qual o paciente é atendido por Terapia Intensiva associada à órtese corporal PediaSuit, que favorece o alinhamento biomecânico, a propriocepção e a reorganização músculo-articular que otimizam o controle postural e a função global. O programa de Terapia Intensiva PediaSuit é realizado pelo período de quatro horas diárias por quatro semanas, seguido de duas semanas de manutenção com seis horas semanais. A extensão e duração do tratamento serão determinadas de acordo com a necessidade de cada paciente.